sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Isabel Jonet, estou contigo

Não vi em direto a entrevista a Isabel Jonet. Mas depois de tanto post sobre o assunto, de tanto comentário via facebook, fui ver.
Pois devo dizer que não consigo perceber tanta agressividade perante o que a senhora disse. Ela tem toda a razão. Os exemplos que deu são claramente o espelho desta sociedade de consumo verdadeiramente exagerado, onde se afogam as crianças de brinquedos e bolycaos, festas de aniversário megalómanas porque há que competir com os outros Pais e, vai-se a ver, têm a prestação do carro em atraso, comem Nestum ao jantar e enviam enlatados para os filhos comerem no refeitório do colégio porque já não têm dinheiro para manterem a mensalidade da alimentação. E isto é real! Eu não estou a inventar! Na minha própria família já vi darem uma festa infantil de uns 300€ mais um bolo de mais de 50€ para depois chegarem a dia 20 do mês e andarem aflitos à espera do próximo ordenado. É esta a forma de estar que construímos, que é viver para a sociedade em vez de vivermos para nós, bem e descansados.
Não sou minimamente a favor do empobrecimento, como é óbvio, e quero continuar a ter algum conforto como todos querem. Mas sejamos realistas. Existe muita gente que anda a preparar os filhos para que eles não consigam viver sem tudo! E depois queixam-se de que aos 30 anos ainda estão em casa....pois claro! Sempre tiveram mesada, carro e dinheiro para os concertos rock. Agora o País está mal, por isso há que esperar que melhore.
Desculpem o desabafo, mas eu às vezes vejo e ouço coisas que me preocupam tanto, mas tanto, que fico quase verde. Eu não educo os meus filhos na abundância, e é uma luta constante porque se estão constantemente a comparar com os amigos. Porque não têm nintendo, nem festas de anos organizadas, nem comem bolachas de chocolate ou bolycaos a todos os lanches. Não porque eu não tenha podido até aqui, mas porque não acho correto. E vou continuar a lutar para que continuem a perceber o valor das coisas. É simples: A educação é pautada por várias frentes. Há educação moral, financeira, alimentar, ambiental, tudo! Há uma obrigação dos Pais em educá-los em todas as vertentes. E não é a dar tudo que estamos a formar bons cidadãos.
E pronto. Aqui fica o desabafo (longo)!

13 comentários:

Ana Rita disse...

Aplaudo e concordo com cada palavra. Na semana passada fiz um piquenique com o meu sobrinho e, pela segunda vez, presenciei uma festa de aniversário de crianças feitas no Parque dos Poetas. Adorei a iniciativa dos pais. Não pagam o parque, decoram a parte que ocupam como querem (as árvores são de enorme ajuda) e com coisinhas feitas por cada família faz-se um excelente convívio (claro que o tempo também tem de ajudar!). Isto porque, também conheço pessoas que pelos filhos fazem TUDO. Sou apologista de que as crianças não têm de ser excluídas da crise que se faz sentir. Comi muita maisena em miúda e muitas sopas de leite, e estou aqui. Os bolycaos, coisa nova no mercado, eram raros lá em casa, demasiado raros. E isso, só me ajudou a perceber que temos de nos esforçar para ter as coisas. Desde pequena que percebi isso, e só tenho a agradecer aos meus pais.

Sentada na ponta da lua disse...

Gostei de ler o seu texto e concordo que vivemos frequentemente com excessos... excessos que para além de dinamizarem o consumo, pouco ou nada acrescentam às nossas vidas!

Anônimo disse...

Tudo isso é verdade, mas convenhamos o seguinte: qual dizemos que os portugueses viveram acima das suas possibilidade estamos, mesmo que inadvertidamente, a colocar na minha "caixa" aqueles que efectivamente o fizeram e aqueles que apenas quiseram melhorar as condições de vida que tiveram em pequenos, muitas delas miseráveis. Quem não poder comer bife não come, mas e as pessoas que nem sopa têm para dar aos filhos? Como acham que estas declarações caiem junto de quem passa fome? E atenção que já não são só os ditos pobres que passam fome! A pseudo-classe média passa e isso deve-se ao desemprego, sobretudo. Excessos há muitos, eu reconheço isso. Mas creio que haveria formas mais inteligentes de dizer o que a Dra. Jonet disse. Contudo, a liberdade de expressão é garabtida pela CRP. Seja Portugal um estado de Direito ao menos nisso. Assi, à Dra. Jonet assiste a liberdade de falar e aos restantes a de discordar. É disso que se faz a Democracia.

Anônimo disse...

*quando dizemos

Anônimo disse...

*quando dizemos

Patricia M. Silva disse...

nem mais... a minha filha também se põe com essas conversas e eu "mando-a" passear... de vez em quando lá leva um miminho. Uma vez veio com a conversa que agora todos usavam Vans e ela queria ter uns Vans. Não lhos comprei, não que não pudesse, mas porque achei que os da Seaside (por exemplo) faziam o mesmo efeito. A refilar lá anda com os baratos e à uns tempos veio ao pé de mim e disse-me: "Estes até são bem giros!"... ora ainda bem... mas nos anos o pai fez-lhe a surpresa e ofereceu-lhe os All Star (mesmo depois de eu ter dito que não)... enfim...

Ana disse...

Os meus filho tambem não tem o que querem, aliás nem tinha posses para lhes dar. Sempre fiz festas de anos em casa e apesar de ouvir a maioria das pessoas a dizer que sai mais barato, e que os muidos gostam mais, eu não acho piada nenhuma, estarem a dar saltos durante 2 horas e depois vão comer porcarias pré fabricadas, e os adultos? Eu faço em casa com uns amiguinhos, e os familiares mais proximos.
QUanto a roupas para já as exigencias são poucas pois ainda não conhecem grandes marcas, tirando a GEOX. Mas o melhor amigo do meu filho tem tudo e m,ais alguma coisa e não tarda nada vem as exigências...

Carla disse...

Concordo, Francesca. Não vi a entevista na integra e o que vi a suportar a noticia das declarações escandalosas, pareceu-me que poderia estar desenquadrado do contexto. Acho que se empolou a questão de um ponto de vista que nao foi o pretendido. O que ouvi pareceu-me sensato. Não devemos generalizar, até proque não me pareceu que as palavras ditas pretendessem abranger todas as pessoas que hoje passam por momentos dificeis, mas apenas aquelas que efectivamente viveram acima das suas possibilidades. Quando era criança os meus pais preocupavam-se em dar-me conforto, sim, mas não me faziam todas as vontades especialmente se aquilo que eu quisesse estivesse para além das suas possibilidades ou simplesmente lhes parecesse uma insensatez. Chorei? Claro que sim. Fui uma criança infeliz por não ter tido os mesmos brinquedos dos meus amigos? Não, de modo algum. Aprendi a ponderar, a escolher e a estabelecer prioridades e isso foi-me precioso em muitos momentos da minha vida de adulta.

Teresa disse...

Ela disse a mais pura das Verdades!!

Este Blogue precisa de um nome disse...

Concordo contigo!

akombi disse...

Temos trabalhos num condomínio afamado ora por futebolista, atrizes, cantores, ministros etc que lá habitam, nesse condomínio existe um espaço comercial a onde existe, entre outros estabelecimentos, um restaurante gourmet, ora a empregada a falar connosco e a dizer que existem pessoas do governo que vão lá e comem uma sopa e uma baguete e pagam a dinheiro, outros que são meros populares comem de tudo um pouco e pagam com o cartão de crédito ou seja andam a comer á fartazana aquilo que ainda não ganharam.

Maria João disse...

No minimo acho graça á maior parte destes comentários. Vivo do meu ordenado e sustento uma adolescente de 14 anos. Assim que este governo tomou posse foi-me retirada a pensão de alimentos paga pela segurança social porque a justiça neste país consegue ser contornada de forma a que os pais fujam às suas responsabilidades e não são penalizados por isso. Antes deste governo o estado assumia este papel, depois passou a responsabilidade inteiramente para as mães e passei a ser considerada rica. Para abreviar, o meu ordenado depois dos descontinhos fica em menos de 750 euros. 400 são para a renda da casa. Ainda não recorri ao banco alimentar porque faço muitas contas todos os meses. Não admito é que esta senhora que está a repetir o que ouvimos há quase 2 anos e tem sido a desculpa para nos deixarem na penuria é que vivi acima das minhas possibilidades. Quando são responsabilizados os gatunos que não souberam gerir os nossos impostos? e quem vai responsabilizar os imbecis que nos estão a dar o golpe de misericordia. E os pobrezinhos não precisam de comer bifes? e peixe? Até a Manuela Ferreira Leite estava chocada. Por favor, haja bom senso, a senhora pode saber gerir uma instituição e exactamente por estar nesse papel há tantos anos devia ter mais cuidado com as palavras mas a realidade dela deve ser fechada num gabinete e contar as toneladas recolhidas nas campanhas. Eu nunca mais dei nada desde que a senhora levou a tribunal uma associação de defesa dos animais por quererem criar um banco alimentar animal para ajudar várias associações de todo o país mas deixava a minha filha participar nas campanhas com os escoteiros, agora nunca mais. Miséria há e muita,mais 1 aninho teremos pessoas a imolarem-se com fogo em frente da assembleia da republica e em dependencias bancárias, e a atirarem-se das janelas depois de perderem as casas.

Francesca disse...

Maria João, acho que tem toda a razão. E o problema de se generalizar é esse mesmo, de se medirem todos pela mesma bitola e a carapuça que serve a uns não entra na cabeça de outros. Acho que acima de tudo há que passar a mensagem de que temos de viver com o que temos.
Eu nunca vivi acima das minhas possibilidades, e sempre poupei toda a vida para não ter de ter créditos. Felizmente consegui mas o dia de amanhã não sei qual vai ser.
E sim, quem devia estar a responder por isto tudo foram os gatunos que nos governaram, esses sim, que gastaram todo o nosso dinheiro mais o que não tinham para agora estarmos neste estado.
Desejo-lhe muito boa sorte, como a todos os que estão de momento, em mais dificuldades.